terça-feira, 30 de novembro de 2010

"Arch Origamic Jumbo"

Os primeiros projetos construídos foram o Arch Origamic Jumbo Orange, na Kobe Village Art Center em Hyogo, que é um complexo cultural e Arch Origamic Jumbo White, em Jacarta na Indonésia e Pescara na Itália. Desde 2005, a tenda foi construída e exposta em vários concursos de arte, como "CP Bienal 2005 Pescara" ou "Les Matadouros des Transculturelles Casablanca." E ainda exposto na 27ª Bienal de São Paulo, em 2006. O projeto é criação do Atelier Bow-Wow, fundado em 1992, pelos arquitetos Yoshiharu Tsukamoto e Kaijima Momoyo.
O papel é muito comum no Japão e usado de diversas maneiras, como o bambu por exemplo, sua utilização interage com a preferência japonesa pelo uso de materiais naturais nas moradias. A fabricação é simples, um grupo grande de pessoas pode fazer, sem utilizar grandes ferramentas e tecnologias, somente é necessário conhecer as técnicas do origami. Os arquitetos criadores do projeto, não se preocupam com a ornamentação, em formas muito elaboradas ou alta tecnologia, se preocupam mais com a estrutura, materiais simples, criando novidades e explorando a reelaboração do que já existe.
O Origami Arch Jumbo é constituído de papel, portanto maleável, que permite ser moldado com facilidade. São grandes tiras dobradas segundo a técnica de origami Miura, dobragem rígida que tem sido usada para levar para o espaço, grandes painéis de dobraduras. O objeto, sob o aspecto plástico, constitui uma espécie de túnel circular. O arco é feito de tiras de papel, dobráveis.
O pavilhão pode servir como abrigo, muito útil em ocasiões pós-catástrofes naturais, frequentes no Japão. Crianças, mulheres e idosos podem fazer o arco com tranqüilidade. Apesar de ser leve, o material é revestido e impermeável.  





Protestos...


Raffo
Cansado da sujeira que rola solta pela sua cidade, o artista italiano Raffo criou um trabalho polêmico, por aqueles lados do mundo. Ele expôs o seu último trabalho, a Mona Lisa com sacos de lixo, em Nápoles, Itália. A obra foi criada para chamar a atenção para os problemas de lixo que existem por lá.
Intervenção  Alexandre Orion
Outro exemplo similar, no Brasil, é a intervenção do artista plástico Alexandre Orion, que na madrugada do dia 13 de julho de 2006, começou uma intervenção no túnel que liga a Av. Europa e a Cidade Jardim em São Paulo. Durante dias a intervenção ocorreu por processo de subtração, limpando a fuligem produzida pelos carros que se deposita nas paredes do túnel e produzindo imagens de crânios humanos, nas partes limpas. As imagens nascem da fuligem que fica dando visibilidade a poluição que mata. Há dez anos o artista plástico e designer semeia suas obras de arte nas paredes abandonadas da cidade, nos lugares em que podem serem vistas, são vistas num lampejo.
Durante as madrugadas em que trabalhou na “limpeza” do túnel, foram várias abordagens policiais. Entretanto, não havia crime, ele trabalhava muitos pedaços de pano e máscaras para se proteger, o crime era ambiental: poluição pra ninguém botar defeito. Contudo, o estado não deixou barato, e a maneira de impedir a “limpeza de Orion era limpando.
A intervenção tinha alcançado 160 metros quando a prefeitura fez a limpeza, somente na área dos desenhos, o restante do túnel ficou sujo, o que o artista não esperava. Como a máteria-prima ainda estava lá, ele voltou a provocação no dia 13 de agosto e alcançou, depois de algumas madrugadas 120 metros. A equipe da prefeitura acompanhada da Polícia Militar apareceu para efetuar a limpeza de todo o túnel.
A partir daí, todos os túneis da cidade foram limpos, mas em quatro meses tudo estava sujo de novo. “Melhor do que limpar seria pararmos de poluir”. - Frase de Alexandre Orion (artista plástico).










Qual o limite da perspectiva?

 A perspectiva, de forma simplificada, é a representação, no papel, de um determinado ângulo e/ ou local captado por um observador. Essa reprodução pode variar de acordo com cada observador e com a impressão que cada um tem da imagem, acredito que cada desenhista seja ele profissional, ou não, transfere à sua obra um pouco de sua impressão e até mesmo do sentimento ou inquietação que aquilo lhe causou. Além disso, as ditas “paisagens” possuem interação com o ambiente, com os acontecimentos em geral, com o clima e porque não dizer com os usuários e partindo desse pressuposto pode-se dizer que cada local, seja ambiente, fachada, o enquadramento de uma parede ou um objeto por inteiro pode variar sua impressão visual de acordo com o contexto em que está inserido. Pode-se dizer então, que o limite da perspectiva seria captar e transpor no papel outras informações além das quais possuímos num determinado ponto de observador.

O "Macaco gordo"

A Conferência de design Pixel Show é o primeiro evento brasileiro do gênero, focado em criatividade, além da tecnologia. O evento é organizado anualmente pela editora Zupi e marca uma trajetória de sucesso no Brasil, crescendo desde outubro de 2005. Em um circuito de palestras apresentando cases e portfólios de renomados artistas brasileiros, o Pixel Show visa discutir temas atuais sobre a arte moderna e o mercado de trabalho, inspirando e motivando jovens (e experientes) profissionais.
No embalo do evento, realizado em abril de 2010, uma coisa “grande” chamou a atenção do mundo todo. Foi a obra gigante, na paulista, do artista holandês Florentjin Hofman, ele trabalhou por 1 semana em uma obra chamada “Fat Monkey” (Macaco gordo). O resultado foi um macaco inflável, de aproximadamente 14 metros, que ficou exposto no parque Mário Covas. Vejam que legal a obra. Coberto por 6 mil pares de chinelos, fazendo uma alusão aos pixels e garantindo um efeito bem divertido a obra de arte, o macaco foi inflado e ficou exposto no mês de outubro. Hofman, conhecido por grandes intervenções urbanas pelo mundo e obras de artes efêmeras, foi convidado pela Opanka, marca patrocinadora do evento, para vir ao Brasil. 
Durante a palestra Florentjin falou sobre o working in progess e explicou que a ideia deste trabalho tem a ver com um brinquedo de seu filho. A criança durante a noite não consegue dormir sem o macaco, mas ao despertar nem liga para ele.










Ron Arad – o design made in Israel

Nasceu em Israel em 1951, estudou Design em Jerusalém e Arquitetura em Londres e hoje é um dos designers mais renomados do mundo.

Arad também desenhou as linhas limpas e sinuosas da embalagem do perfume Kenzo.

Fundou a One Off em 1981, e em 1989 a Ron Arad Associates Arquitecture and Design Practices, que acabou absorvendo a One Off alguns anos depois.

Esta chaise mostra a simplicidade e beleza de seu trabalho.

Tom Vac, uma cadeira de plástico. E sempre as curvas e linhas suaves.

Clover chair, precisa falar mais alguma coisa?


Esta luminária, a Lolita, já esteve exposta no MoMa e recebe mensagens por SMS, que acendem os leds, rodeados de cristais.

A prateleira se chama Bookworm, ela é flexível e faz o desenho que você quiser.

A delicadeza e simplicidade são únicas, e ele é assimétrico, com um lado mais alto que o outro, bem acima da cabeça. Da coleção Victoria and Albert.

O disco branco que envolve o chuveiro gira livremente, e um dos lados você pode usar como banheira.

Disse que me disse: Museus – arte também por fora

O recém-inaugurado MAXXI – Museu Nacional das Artes do século 21, em Roma, é um projeto de Zaha Hadid, arquiteta iraquiana identificada com a corrente desconstrutivista da arquitetura. Segundo a crítica internacional, a escolha de uma obra tão cara e de difícil execução certamente se baseou no desejo de rejuvenescer a cidade. Entretanto, é aos romanos da antiguidade que deve-se a invenção do "betão", conhecido no Brasil como concreto protendido, revolucionaram a arquitetura do mundo antigo. Primeiramente descobriram que, juntando à mistura a areia vulcânica do Vesúvio, o betão ficava tão duro e aguentava todo o tipo de esforço e condições. Com o "betão" a arquitetura deixou de ser um jogo formal para se tornar o uso da modelação do espaço. As formas sinuosas e arrojadas do edifício são possíveis apenas devido à utilização do mesmo material.
 
O edifício possui quilômetros de galerias e suas formas de concreto parecem se contorcer umas sobre as outras. O novo museu ocupa um terreno onde ficavam alojamentos militares, a cerca de 20 minutos do centro histórico. De acordo com a arquiteta, a idéia foi manter o contexto urbano dos alojamentos, compondo um edifício baixo que contrasta com os edifícios residenciais mais altos do entorno, construídos no início do século 20. O projeto proporcionou permeabilidades ao edifício, que tem vários acessos e transparências. Até uma passagem fechada por cerca de 100 anos pôde ser reaberta graças às linhas da construção, que se adaptam ao lote. Assim, com seu formato em L, o prédio cumpre outra função planejada pelos arquitetos: se torna um articulador urbano.

Internamente a obra se mostra mais complexa. Planejado para abrigar um centro de artes e um de arquitetura, o museu é formado por dois edifícios que se cruzam, não há espaços compartimentados, a circulação é contínua . A arquiteta aponta a necessidade de a arquitetura desafiar a "neutralidade" dos museus e de dar continuidade a "sua relação crítica com a sociedade e a estética". Com isso ela impõe um grande desafio aos curadores, que terão de trabalhar com a flexibilidade de divisórias suspensas do forro, propostas por Hadid, e a ausência de paredes convencionais onde perdurar suas telas. A arquiteta argumenta que seu projeto permite alterar dimensões e a geometria dos espaços de acordo com as necessidades. Segundo sua autora, o objetivo é também oferecer um dado contemporâneo às camadas históricas sobre as quais Roma está associada.

Outro museu recentemente criado para valorizar as exposições de arte, é a obra do arquiteto israelense Ron Arad, o trabalho representa a primeira grande obra de Arad, reconhecido por objetos na área de design.
Museu Holon
Propondo um diálogo entre o edifício e seus visitantes, o edifício é envolvido por enormes tiras de aço, com curvas atraentes, tratadas com um acelerador de corrasão química para definir diferentes tonalidades no aço provindas do processo químico. Com 3.700 m² de área construída, na realidade, o prédio distribui-se em dois, a obra não foi pensada para abrigar uma coleção no sentido clássico. Em seu programa, além de 750 m² de galerias, estão incluídos um laboratório de design e uma coleção de arquivos.

“Procurei criar uma hierarquia de espaços ao ar livre, mas é importante destacar que as enormes faixas que se projetam para o céu não são só bonitas, elas são estrutura", diz Arad. Assim como a obra de Zaha Hadid, o enfoque não serão exatamente as obras apresentadas, nem ao menos sua apresentação pré-disposta que poderá variar, de acordo com as possibilidades de layout, que as construções apresentam. Nelas, os próprios museus se transformam em arte.
fontes:
http://www.fondazionemaxxi.it/

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Filme “O País de São Saruê”, Vladimir Carvalho

O filme “O País de São Saruê” retrata a vida de vaqueiros, lavradores, garimpeiros e outros moradores do nordeste brasileiro, filmado em preto-e-branco e realizado no fim da década de 1960.
O documentário é iniciado com a dura jornada de trabalho dos homens na terra e com as miseráveis em que vivem, relata os danos causados pela seca e exploração do povo.Em um segundo enfoque trata a agricultura da região, onde as terras eram arrendadas para o agricultor que deveria dividir a metade dos lucros com os proprietários. Eles portanto, viviam presos à terra porque o que ganhavam não era suficiente para saldar suas dívidas.

A população da região paraibana, do Rio do Peixe, é uma população sofrida, mas em contrapartida, forte e determinada a garantir sua sobrevivência. E o documentário relata isso com clareza de detalhes e exemplos.

No filme é dado grande destaque às entrevistas com habitantes da região, como o ex-lavrador que consegui torna-se um empresário bem sucedido e com o voluntário da paz americano, dividido entre a guerra que seu país enfrentava no Vietnã e a situação de descaso com o povo nordestino. Além, dos senhores idosos que lamentavam a decadência do garimpo na região, que outrora trouxe riquezas para muitos e no momento estava estagnado, já que não obtinham licença para explorá-lo.

Contudo, pode-se perceber que o problema do nordestino não é somente o clima. Isto é, a seca é um agravante, pois prejudica a subsistência, em geral, as enchentes também, pois trazem inúmeros prejuízos. Mas o problema maior, que o documentário quer evidenciar, é a má distribuição de renda e recursos, faltam meios para dar condições para que eles vivam dignamente e não dependam de ajuda voluntária.

Carvalho não retrata suas personagens como vítimas, mas como homens e mulheres corajosos, que vivem nas mais precárias condições e enfrentam as dificuldades que lhes são impostas. É um filme-denuncia, um registro histórico que valoriza esforço daqueles que eram e ainda são prejudicados pela miséria.